Menos religião, pelo amor de Deus!

Quem está fadado a percorrer os míseros canais abertos de uma antena parabólica sabe que o que há em excesso é canal de boi e canal de religião. Nunca vi tanto boi na minha vida! E olha que raramente vou à algum sítio ou fazenda. Dos canais de religião eu saio pulando, me esquivando desses mercenários do nome de Jesus como o próprio diabo foge da cruz.

Ligo a Tv esta manhã e me topo com mais um desses lunáticos fervorosos vociferando sabe-se lá o quê para levar mais alminhas para Jesus. E, para piorar, era um programa de um certo “pastor”, de uma execrável igreja monetária, vindo sabe-se lá de onde, com um convidado falando em inglês com um tradutor capenga ao lado. Figura de aspecto horroroso, expressão de perturbado, discurso pavoroso e ainda usava o título de DR.

Era aquele converseiro besta apocalíptico, fim de mundo, explicação cosmológica da crise econômica, como um dos castigos de Deus, pois assim versa o livro Revelação ou Apocalipse sobre os cavalos negros e blá blá blá. Segundo ele, tudo isso já estava previsto (como se os economistas não soubessem) e ele sabia, porque ele consultou a enciclopédia e lá Deus avisava sobre o fim do mundo. Pois é, a Bíblia é um tremendo tratado sobre tudo e sobre nada. Relata física quântica, segundo o pastor do programa, prevê crise econômica, admoesta e lança um porrilhão de castigos.

Tudo isso e mais um monte de abobrinhas bem ao sabor V.M Rabulu e seu Hercólubus para findar no objetivo maior das atuais igrejas monetárias e mercadológicas: comprar o livro do reverendo pastor DR que ensinava a salvar o mundo, suas finanças e sua almimha. Tudo garantido: foi devidamente retirado das escrituras sagradas, logo, é infalível! O que o mundo inteiro, intelectuais, economistas e pensadores que de fato movem o mundo ainda não conseguiram domar, o pastor de discurso apoteótico prometia fazer se você comprasse o livro dele. Convenhamos que o cara tá com a razão – a crise se resolve com o reaquecimento do consumo.

Detesto esse povinho. Eles fazem lavagem cerebral, eles adoecem as pessoas. Para quê trocentos canais de tv para falar uma merda só? Porque essas igrejas agem como lojinhas de Jesus, vendendo Óleo santo e mais não sei o quê que vai trazer seu emprego de volta sem serem perscrutadas pela Receita Federal? O que mais se vê, em senso comum, é o enriquecimento deste povinho. Eles prometem o hoje, sua saciedade material e beneplácidos terrestres. O céu é aqui. Todo o preceito moral e ético que moldou o cristianismo sobre as ações na terra visando um julgamento pós-morte hoje é pura mercadoria para estes “pastores” que não sabem o que é uma ovelha. O povo precisa mesmo é de educação e dignidade. Fechem esses canais ridículos e aumentem a programação educativa. Eu sou a favor de um mundo sem religião. Porque religião não é sinônimo de Deus.

Blogueiros do Seridó

Pensando sobre o post meu, logo abaixo, intitulado “Desânimo na Blogosfera”, Jeremias Alves pensou em uma estratégia para uma maior divulgação de nossos blogs, de nossos textos: uma comunidade no Orkut!

O Orkut é o site de relacionamento mais acessado no Brasil e, a maioria dos seridoenses participam dele. Por isso, configura-se como um meio de divulgação eficaz e dinâmico.

Com esta comunidade poderemos trocar ideias, divulgar os últimos posts e conhecer os blogs de outros seridoenses. Esperemos que tenha vida longa e muito sucesso!

Desânimo na Blogosfera

Há alguns dias que observo o desânimo na blogosfera, como se (para confirmar) tudo não passasse de um grande fogo de palha. Num mundo tão tenso e tão enfastiado de tudo, um blog não faz sucesso por mais de uma semana. Afinal, para quê fazer mesmo?… no Brasil ninguém lê mais que cinquenta linhas mesmo, quanto mais escrever.

Os blogs que eu achava interessantes vivem às moscas, assim como o meu, que vivo a pensar qual a utilidade de sempre lançar uma garrafa ao mar. Ultimamente meu blog só é visitado pela procura por Lucimário e sua empresa fantástico e pelos artigos que fiz sobre os idiotas que se incomodam com a visita dos seus perfils no Orkut, os famosos “turma do avestruz”.

Isso me incomoda. Nem mesmo a classe educadora que deveria ler, sabe o que eu escrevo no meu blog. É vergonhoso esse povo indicar a leitura de alguma coisa.

A governadora, os professores e os torturadores

Durante os duros e amargos anos que nosso país suportou de ditadura um dos ítens mais mesquinhos e execráveis que muitos nos envergonhou foi a prática da tortura. Em nome sabe-se lá de quê, prendia-se, batia-se, humilhava-se, surrava-se, enfim, exercitava-se a sanha autoritária e sádica, doentia e corruptora sobre cidadãos. Só sabe o que significa quem teve que ver parente neste estado ou viveu isto. Horrorizada pela ignomínia e desfaçatez sem igual, este povo livre elevou à crime hediondo e inafiançável o crime de tortura em sua Carta Magna de 1988.

Diante da corrupção, do descaso e da má gestão professores do Rio Grande do Sul protestavam diante da casa da governadora Yeda Crusius, como cidadãos que assim o pode expressar. Mas estamos no Brasil e o cidadão não é ouvido nunca, não tem espaço nunca, é mero joguete eleitoral, mero cômputo de voto em campanha e para surpresa geral, num país democrático, o povo foi enxotado pelas forças repressoras, fotógrafos foram presos – como se fosse crime noticiar – professores foram surrados e humilhados quando a governadora, em um revide patético, exibiu um cartaz ridículo insultando os professores de “torturadores de crianças”.

É assim que o profissional da educação é tratado no Brasil hoje, pelas nossa “autoridades”. É assim que eles nos querem fazer parecer. E é por isso que ser professor não é fácil, nem atrativo. O jovem sempre pensa bem antes de escolher esta profissão, que não remunera bem, que invariavelmente deixa profissionais dependentes de auxílio médico e que é tão desprestigiada. Ser professor no Brasil tem se tornado um desafio muito grande. E, sem apoio de uma sociedade decadente e sem paradigmas vamos cotninuando recebendo o epíteto de “torturadores de crianças”.

Ler para quê?

lendo jornalTodos sempre falam da importância da leitura, principalmente nós, educadores, que a leitura nos abre fronteiras, que é essencial para a vida cidadã. Recentemente José Saramago publicou em seu blog uma proposta de leitura, depois da insistente pergunta sobre qual livro ele indica para a leitura durante o verão. Ler é bom, faz bem à saúde mental, fez bem para a imaginação e você se torna uma pessoa mais informada.

Só que ao mesmo tempo em que se aconselha tanta leitura vejo pouco exemplos de pessoas que lêem. E ainda pior: não se fala por quê ler. Como se ler bastasse para dizer para que serve. Para a criança e adolescente não é assim que a coisa funciona. Se não houver uma experiência agradável da leitura, não desenvolverá nunca o gosto pela leitura. Muitos educadores também aconselham a leitura aos seus estudantes mas não dão o exemplo, que é a parte mais importante.

Como diz Rubem Alves, é preciso causar a fome para que a vontade de comer aconteça. Se a criança não for instigada, não sentir curiosidade, não lerá. Certa vez eu levei um livro de crônicas de Fernando Sabino e li alguns na minha sala de 8° ano. Mas não concluí a leitura da crônica, disse que quem quisesse conhecer o resto pegasse o volume na biblioteca. Para minha felicidade, alguns alunos procuraram o livro com a vontade conhecer mais do autor.

Mas, ler para quê? Para adquirir informações e construir conhecimento. Adquirir informações e construir conhecimento não é prerrogativa da leitura. Pode-se ler sem entender coisa alguma. E não servir para nada. Pode-se aprender muita coisa sem a leitura e adquirir um conhecimento fantástico. Não é sábio só quem lê. É sábio quem busca meios de usar melhor as informações que recebeu. A leitura é só parte da busca pelo conhecimento. E é por isso que, muitos dos meus estudantes do ensino público, embora com deficiência na leitura são ótimos quando recebem a informação de forma oral e quando expressam seus conhecimentos.

Ler é importante mas não é tudo. Tem que se saber o que ler, para quê, por quê, serve para quê. Leitura à toa só enfada e distancia o estudante dos livros. Caro colega educador, dê sugestões de leitura de acordo com o perfil do seu estudante. E mais importante: dê o exemplo, comente com eles sobre livros, sobre revistas ou sites que você lê.

Curso Mídias na educação

Finalmente neste último dia 3 de julho finalizamos a primeira etapa, o módulo introdutório da Especialização do Curso Mídias na Educação. Esperamos agora a Especialização propriamente dita, curso este financiado pelo MEC, como parte integrante do programa de Formação Continuada.

O encontro em Natal foi uma tarefa árdua, produzir o trabalho final em forma de banner deixou muito cursistas colegas meus arrancando os cabelos, inclusive eu. No final, foi gratificante!

Agradecimentos pessoais a minha tutora Maria Berenice e o apoio logístico e “pedagógico” de Socorro Silva, indispensável, Rúbia Kátia Montenegro, Vera Lúcia e Gilton Dantas, todos muito amigos no apoio e na ajuda, sempre prontos a colaborar.

Tenho a expectativa de que este curso contribua decisivamente no meu trabalho docente, habilitando-me ainda mais no uso das tecnologias na sala de aula. Ganha a educação em modo geral!

Midias

Vitória Lima, Socorro Silva, Rúbia Kátia, Eu e Vera Lúcia no Encontro em Natal

Vitória Lima, Socorro Silva, Rúbia Kátia, Eu e Vera Lúcia no Encontro em Natal

Ora (direis) ouvir estrelas…

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila.  E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?  Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

(Olavo Bilac)

Sempre valorizei o tempo perdido na contemplação. Atitude quase inútil, se não fosse a utilidade de apaziguar o espírito. Contemplava a vida, contemplava minhas crenças, observava a vida passando, o povo passando na rua, os colegas brincando. Sentia-me apenas um observador, parecia que eu não vivia, não devia participar da vida corrente, não fazia parte desse mundo, como um fantasma a espreita apenas, como alguém que realmente não fosse importante.

Adorava observar as estrelas. Caminhava até a praça da rodoviária e, em um banco qualquer do lado mais escuro da praça, ficava ali observando estrelas, sozinho. Quedava-me muito tempo nessa atitude a imaginar a intensidade e magnitude de cada uma, a pensar como seria viajar para lá, conhecer outros solos, outros mundos, outras civilizações. Curiosamente nunca aprendi a reconhecer uma constelação sequer. Ainda hoje morro de vontade de descobrir onde fica realmente o Cruzeiro do Sul, nunca ninguém me indicou. Afinal, minha contemplação nada tinha de curiosidade científica: meus olhos perdidos no breu do vazio espaço não buscavam só beleza, mas principalmente um ponto de fuga.

Olhos perdidos, olhar vago. Fugir de quê? Fugir da minha realidade, da minha vida tão pequena e tão sem brilho. As estrelas foram companheiras de minha solidão. Aliás, sempre fui muito solitário, não me perguntem porque, talvez por ser muito tímido ou mesmo por parecer anti-social. Eu tenho saudades das estrelas. Não tenho mais tempo para contemplá-las e quando o tenho, minha visão não me permite admirá-las como no passado, já que preciso de lentes nem sempre tão competentes assim.

Eu sou um ser nostálgico. Equilibro meus momentos de alegria e meus momentos de tristeza. Vez por outra me pego triste, vez por outra me deixo estar sem alegria alguma, me pegando à passados que nem sei julgar se foram tão bons ou tão ruins. O fato é que quando pensava apenas estar me tornando um jovem me confronto com meu rosto adulto; quando pensava que a vida ainda começava para mim já via meus cabelos rareando. E nesse ponto crucial em que me repenso e me defino, relembro que as estrelas da minha infância continuam no céu, incógnitas, brilhantes, desafiadoras e cheias de significados, porém anônimas…

A despamonhalização da sociedade

Num passado nem tão distante recordo-me como o ato de produzir pamonhas

Vai uma pamonha aí?

Vai uma pamonha aí?

era um exercício familiar que, momentaneamente, unia a todos em um fim comum. Era em uma época em que quase todos viviam ainda sob o mesmo teto, não haviam tantos irmãos emancipados, a casa era realmente povoada. Um cortava as espigas, outros as debulhavam, outros moíam, outros faziam caixinhas de palha para o cozimento e assim por diante até o final todos serem recompensados com um tacho ou um panela de cascão quentinho para raspar.

Minha mãe sempre foi apaixonada por comidas de milho, assim como eu também, que, mesmo sofrendo alhures depois eu teimo em comer gulosamente. Hoje, mesmo um tanto só, minha mãe continua sua paixão por fazer comidas de milho – pamonha e canjicas excepcionais. Talvez pelo retorno saboroso, mas talvez – e esse talvez bem mais – pela saudade de áureos tempos. Um tempo em que produzir pamonha unia a família, contando estórias de trancoso, recontando velhas histórias da família. Aquelas pamonhas nos tornava uma família.

Pegando emprestado o termo cunhado por Mário Sérgio Cortella, a ausência das proximidades familiares têm produzido um individualismo cada vez mais agressivo. A despamonhalização da sociedade é uma realidade em que, não obstante novas tecnologias para produção de alimentos, todos se sentem menos impelidos a serem uma família, em produzirem algo juntos, em se dar o sabor de compartilhar uma atividade prazerosa na cumplicidade daqueles que nos são tão caros.

E todo mundo vai ficando cada vez mais só.

O dom das palavras

Se há um modo de dizer que a inveja pode ser sadia, coisa que não compreendo bem, eu diria com a mais absoluta sinceridade que aprecio e invejo àqueles que possuem o dom das palavras. Inveja no bom sentido (como sofregamente tento afirmar), pois admiro desmesuradamente aqueles que falam bem e são, por isso, bem ouvidos.

E se você, igualmente a mim, adora os finos textos, não deixe de visitar o blog do José Saramago, premiado escritor português, autor do aclamado Ensaio sobre a cegueira, filme de Fernando Meirelles.

Eis o Link: http://caderno.josesaramago.org

Livro História do Cristianismo

Depois de um largo tempo em que prometi publicar o ebook que estava trabalhando sobre história do cristianismo, finalmente resolvi publicá-lo de maneira mais acessível. Trata-se de “História do Cristianismo – das origens até Justiniano” do autor italiano Ambrogio Donini.

Disponibilizei num arquivo compactado com arquivos .doc (podem ser abertos pelo Word ou pelo Writer do BrOffice). Clique aqui para ir para o link de download.

Uma leitura crítica sobre as origens da cristandade, resumindo 50 anos de pesquisa do seu autor. Recomendo também uma leitura crítica sobre a obra, pois trata-se de um autor marxista e a ótica da pesquisa pode ser diversa das pesquisas atuais.