Pipas e Burcas

Burca - opressão aqui, costume lá. (Foto: Wikimedia Commons)

Burca - opressão aqui, costume lá. (Foto: Wikimedia Commons)

Depois do 11 de setembro, quando os Estados Unidos foram atacados por um grupo de terroristas, o mundo voltou suas atenções para o Afeganistão, primeiro país invadido pelos americanos como represália ao acontecimento. Dizia-se que procuravam o mandante, Ozama Bin Laden, que encontrava-se refugiado por lá, sob a capa do regime Talibã.

Começou-se então um interesse súbito por aquele país esquecido, por aquele regime violento, choveram jornalistas, choviam matérias, principalmente para se ressaltar, se estampar em cores ocidentais a sociedade antiquada, medieval e obsoleta que germinava por lá, a opressão sobre as mulheres metidas em suas burcas sufocantes, num povo pobre sem direito sequer a ouvir música. A situação de um país nunca lembrado agora era a bandeira da mudança daqueles que diziam levar a democracia.

Talvez o interesse mórbido sobre o povo afegão explica o sucesso do Caçador de Pipas, de Khaled Housseini, autor afegão que mora na América. O livro não só foi sucesso de vendagens no mundo todo como foi adaptado ao cinema. Mesmo não sendo unanimidade entre a crítica, o romace comove pelos valores que perpassam toda a trama, pela beleza de detalhes do pensamento muçulmano.

Outro livro que também foi sucesso de vendas, embora mais silencioso, foi O Livreiro de Cabul, de Asne Seierstad, que não é ficção, mas é uma reportagem romanceada que a jornalista escreveu sobre os meses que ficou hospedada na casa de um afegão de Cabul, dono de livrarias e pessoa influente. O livro conta dramas pessoais, aspectos culturais e sociais do povo afegão, ao modo ocidental de narrar, como uma legítima representante de nosso mundo em uma terra estranha.

Ressalta-se de Housseini as pipas, os valores humanos do povo afegão, valores muçulmanos, éticos. Em Seierstad a presença da burca sufoca a leitura, marcando a opressão de uma sociedade machista e opressora, desigual e violenta. Duas imagens do mesmo povo. As duas imagens não parecem se conciliar. Estaria Housseini muito afetado pelo estilo ocidental ou estaria a jornalista norueguesa ressaltando sombras na sua pintura? Deixo aos caros leitores que já leram ou lerão as devidas obras a escolha.

Uma resposta

  1. Gilberd!
    Estou encantada com seu blog. É elegante, muito interessante e ainda tem notícias de todos os tipos.
    Bem parecido com você.
    Estarei sempre acompanhando suas postagens.
    Sucesso!
    Rúbia.

Deixe uma resposta