Está se tornando cada vez mais sufocante a constatação de que 24 horas não é suficiente para darmos conta de tudo o que precisamos fazer. Estou aprendendo a relevar os problemas e aceitar sem relutâncias o fato de que, quando chegar o final do dia, quase nada eu consegui realizar e deixar por finalizado. A necessidade de ser relax em relação a isso se deu quando percebi que cabelos brancos estão povoando mais intensamente minhas têmporas.
E, como dizia Pedro Bial, “preocupação é tão útil para resolver problemas quando mascar chicletes para resolver uma questão de álgebra”. Geralmente minhas preocupações com o acúmulo de tarefas tem me deixado muito estressado. O tempo existe, inexoravelmente. E o sinto escorrendo por entre os dedos, inalcançável, diluindo-se como os relógios de Dali, tornando-nos impotentes.
Eu queria pelo ao menos 48 horas para realizar minhas tarefas diárias. Mas imagino os transtornos que isso iria causar. E o acúmulo de novas tarefas para preencher as novas 24 horas. O ser humano é esquisito. Parece que precisa desses sofrimentos diários para sentir que a vida faz sentido. “Ou não”, como diria Caetano. O que eu sei é que a rotina diária me sufoca, mas mesmo assim, no final do dia não vejo o meu trabalho realizado, sinto que o dia não passou.

A Persistência da Memória – Salvador Dali
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Bem meu amigo… temo que as 48hs seriam realmente ré-preenchidas pela humanidade!
De qualquer modo adorei o “OU NÂO” em menção a Caetano rsrsrs
abração