O Mundo não é uma Matrix

- Sabe…Sei que este bife não existe. Sei que quando o coloco na boca, a Matrix diz ao meu cérebro que ele é… suculento e delicioso. Após nove anos, sabe o que percebi? Que a ignorância é maravilhosa. (Cypher, Matrix, 1999)

Definitivamente, para a tristeza de alguns americanos adeptos, o mundo não é uma Matrix.

De toda forma é recorrente se sonhar com um mundo que não é, uma ilusão, com um imaginário. Fugir das agruras da vida real, deste “deserto do real”, citado pelo filme, sempre foi uma obsessão do ser humano. Esquecer os pesares, sonhar com uma utopia, desejar um mundo melhor, ou , no mínimo, diferente.

A Psicanálise sentencia que isso é uma necessidade humana. O nosso cérebro busca se enganar para não se afogar nas mágoas da realidade, uma forma de autodefesa extremamente necessária.

É claro que damos nossa contribuição nesse processo. Nós criamos meios de fuga bastante eficazes. São especificamente as drogas e as ideologias.

Todos conhecemos o poder das drogas psicotrópicas. Desde o álcool, um dos piores por sua larga difusão, até drogas poderosas como o crack ou a cocaína. Eles embotam nosso organismo, confundem nossos sentidos e nossas faculdades mentais. Uma fuga que produz um prazer momentâneo com um custo alto demais.

As ideologias se resumem nas religiões, filosofias e nas ilusões. Idéias que usamos para explicar nosso mundo, uma cosmovisão útil para pormos ordem no caos à dentro de nossa cabeça, diante do ininteligível mundo lá fora. Todas elas buscam nos dar um sentido, um motivo na vida.

Dessas todas a que eu considero pior são as religiões, que, sob a alegação de nos conectarmos com o intangível aprisiona mentes e corpos, numa dependência e domínio maior que as mais fortes drogas. E ainda é considerado benéfica. Na realidade, são toleradas pelo Estado Liberal por trazer retornos sociais, vez por outra. Não importa o quão louco você esteja, desde que não dê trabalho à polícia.

(Este texto é puro senso comum e não deve ser creditado com valores acadêmicos)

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