Entre o Seridó e o Egito

Neste dia 04 de abril acordamos em Parelhas com a notícia de que o nosso maior reservatório, a barragem Ministro João Alves, o Boqueirão, tinha transbordado pela segunda vez em sua história. A felicidade tem sido enorme, tem sido feito festa e até o prefeito prometeu contratar bandas para animar o pessoal durante esse final de semana. Obviamente, como sertanejo, a minha alegria é tão transbordante quanto. Afinal, o sertanejo encara essa “sangria” como uma bênção dos céus, porque sabe o quanto faz falta, diante de invernos irregulares e as privações geradas pela falta de chuvas. Como todo e bom parelhense, estou agradecendo aos céus, por esta maravilha.

Curiosamente, a expectativa da “sangria” do Boqueirão serviu como ótimo mote para minhas aulas de História. Estava trabalhando exatamente a Civilização Egípcia, que, por viver no meio de um deserto e possuir apenas o grande rio Nilo como fonte de água, consideravam suas cheias como dádivas, bênçãos dos deuses. Nada difícil de entender, pelo contrário, foi fácil para mim mostrar como o ser humano é o mesmo, suas expectativas e reações diante de uma mesma coisa são iguais, tanto no Egito, quanto aqui, as águas que caem do céu possuem a mesma origem divina e “celestial”. E bendita seja a cultura humana que transforma essa sangria em algo mais significativo, mais cheio de vida, mais cheio de promessas e felicidades.

Entre o Seridó e o Egito há muito em comum, mas por motivos dessas chuvas foi possível tornar compreensível essa informação para os meus estudantes, coisa nem sempre fácil de conseguir, já que vivemos a mesma emoção que, há quase 5000 anos aquela civilização vivia.

Apenas uma coisa a gente ainda não aprendeu com os Egípcios, e isso os coloca na nossa frente. Eles aproveitavam bem a água, construíam diques, canais, produziam porque usavam a água de maneira inteligente, racional e por isso, desenvolveram a matemática, posteriormente aprimorada pelos gregos. Nós ainda temos uma cultura de desperdício. Quem sabe mais algumas aulas de Egito não poderia ajudar?

Uma resposta

  1. Gostei da comparação e da crítica inclusa no fim do post, se as pessoas que dizem “lutar pelo povo” lessem uma coisa dessas talvez, quem sabe, fosse um “empurrãozinho” para um progresso. Parabéns, continue assim.

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